A mesa era posta no horário do almoço, e vez em quando o prato servido era um delicioso e tradicional mocotó de boi. Uma iguaria que ainda hoje aprecio e que quando o vejo lembro da figura dele. Então, quando estávamos a volta da mesa, um dos pedaços que compunha este prato era sinônimo de “encrenca”, pois o mesmo ficava sendo disputado por duas figuras ilustres. “A unha do boi”, o melhor pedaço do mocotó era sinônimo de...
Por assim agir, nosso pai carinhosamente começou a chamá-lo por esse pseudo, “Encrenquinha”. Diminutivo de uma palavra de semântica forte, que meu pai na sua sabedoria a transformou numa forma carinhosa e amorosa de chamá-lo. Lembro que em algum momento ele ao chegar em casa dizia: “cadê o Encrenquinha de paim”! E um gurizinho de olhos arregalados, pernas coladas, de leve protuberância abdminal, olhava de lado meio sisudo, respondia o chamado ao mesmo tempo que tomava a benção.
Durante muitos anos aquele menino sambudo (expressões paternas), foi meu companheiro de infância, travamos muitas disputas, desde a competição pelo pedaço de unha, e em tantas e outras mais do cotidiano. Fui uma pessoa privilegiada, pois Deus me concedera o privilégio de ter dois irmãos caçulas.
Então, hoje ao passar sua data natalícia, venho expressar nestas mal traçadas, a minha gratidão a Deus por tê-lo colocado em nossa família e por ser nosso irmão. Depois de passado tanto tempo, uma penca de anos, voltamos a nos encontrar em minha casa quando de sua vinda aqui para nossa cidade. Quero lhe dizer que foi um presente, uma satisfação grande para nós, eu e minha família, poder recepcioná-lo em nossa casa. Acrescentar que também o amamos, que a consideração e o apreço que dispensas por nós, nós só temos a agradecer e retribuí-la. Em paralelo, dizer também que não esquecemos as suas assistências, a suas preocupações a bem pouco tempo atrás. As vezes que ligavas e perguntavas se os meninos estavam bem ou se lhes faltava alguma coisa. Não esquecemos sua atenção e carinho que dispensas por eles. Recentemente, antes do resultado do vestibular, ligavas quase todos os dias perguntando se já saíra a relação dos aprovados. E quando saiu a classificação de Fernando, você vibrou, chorou conosco, o choro da alegria, expressando um sentimento de como fosse seu filho. Para nós, pais, fica até difícil dizer o que sentimos quando vemos o amor denotado pelos nossos. É algo assim que não se consegue escrever, entendes? E você, nesses três ou quatro anos aqui de passagem por nossa cidade tem conservado esse amor, atenção e carinho. Costumo dizer que nós seremos lembrados por nossas atitudes, serão elas que escreverão nossa história, e sua história escrita em nossos livros é uma bela história, meu querido "Encrenquinha".
Aproveitando e não falando apenas por mim, mas, temos comentado e sentido sua falta em nossos encontros. Quero lhe dizer que todos os irmãos, sem exceção, perguntam por você e como andas, e sempre, sempre eles dizem que sentem sua falta, mencionam de como seria bom se estivéssemos juntos. É como se nossa alegria não ficasse completa, pois sua ausência deixa uma lacuna aberta. Sei, entendo e tenho conhecimento de seus compromissos e sua luta para terminar o doutorado. Mas, mesmo assim, não deixaria de mencionar o que escrevi anteriormente.
Naldo, outrora “Encrenquinha”, fui buscar nesta expressão uma forma de resgatar o passado e alinhá-lo com o presente. O tempo passou companheiro, nós crescemos e nos tornamos homens, mas as lembranças, as melhores delas, não esqueceremos jamais! Chegamos ao dia de hoje depois de tanta vida vivida, e nosso orgulho, o orgulho bom, aumenta em relação a você. Por toda uma gama de virtudes que te cercam, nos sentimos felizes pelo papel que desempenhas como professor, e também, especialmente, pelo título que defendes, o qual, será o primeiro dentre todos os irmãos. Logo mais, mais dias menos dias, nos reuniremos para comemorar mais um degrau que alcanças, congratular-mos contxigo e poder dizer com a voz do coração, não apenas parabéns pelo aniversário, mas, sim, parabéns, Dr. Elinaldo.
Deus te abençoe, companheiro, que realizes teus desejos, e especialmente que nunca esqueças de nós.
Feliz aniversário são os votos de,
Forrest Guega e família
“o contador de histórias”.
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